segunda-feira, 2 de julho de 2007

Asnela: Extinção ou Aproveitamento Turístico

A ocupação humana nas zonas do interior de Portugal é antiga, milenar e de grande intimidade com a Natureza. É uma ocupação que passa por um processo de rápida transformação e que corre o risco de irreversível rarefacção, isto devido a fenómenos de emigração e êxodo rural. A população sobrevivente nessas aldeias do interior é uma população mais idosa, que mostra a sua sabedoria do quotidiano e a sua tão invejada experiência de vida, assim como a arte de trabalhar no campo.
A aldeia da Asnela está localizada em Trás-os-Montes, no concelho de Murça e no distrito de Vila Real. O concelho a que pertence esta localidade é composto por 9 freguesias: Candedo, Carva, Fiolhoso, Jou, Murça, Noura, Palheiros, Valongo de Milhais e Vilares.

Localização geográfica da Asnela e das aldeias vizinhas (FONTE: www.tutiempo.net)

A desertificação é mais sentida em aldeias pequenas, com poucos habitantes, como é o caso da Asnela, uma aldeia do concelho de Murça onde actualmente o número de habitantes é reduzido. Os habitantes (4) são poucos para manter a aldeia e as casas em ruínas dão mostras de um passado austero, granítico e agreste.




Casa típica da Asnela, visivelmente abandonadambora em bom estado de conservação(FOTO: Ricardo Pinto)


A Asnela é um povoado interessante pelo seu tipicismo rural. Na Asnela têm sido alvo de grande procura os casebres rudes e abandonados espalhados pela aldeia e de que os média têm feito notícia.

A panorâmica geral da aldeia engana os menos atentos pois apesar de se avistarem bastantes casas, poucas delas estão habitadas. A maioria delas pertencem a emigrantes.


Panorâmica geral da Asnela(FOTO:Ricardo Pinto)


Apenas quatro pessoas continuam a habitar na secular aldeia da Asnela que na década de 50 era habitada por 250 pessoas e que agora muitos querem transformar num local de turismo de habitação.
Num passeio pela Asnela começamos a ficar com a impressão de que se trata de uma aldeia abandonada. A maior parte das casas de granito estão degradas e a desmoronar-se. Os caminhos secundários são difíceis de percorrer devido à grande quantidade de lama, ao desnivelamento das ruas e às pedras.
Após uma observação mais atenta verifica-se que existem apenas quatro casas habitadas na aldeia.


Informações Genéricas

Aldeia

Asnela

Freguesia

Vilares

País

Portugal

Região

Trás-os-Montes e Alto Douro

Distrito

Vila Real

Concelho

Murça

População num raio de 8 km

3136

Latitude

41.417

Longitude

- 7.533

Altitude

700 km

Informações genéricas sobre a Asnela.


A Dona Lucinda da Conceição que nem sequer se lembrava muito bem da idade (entre 84 e 85 anos) vive na Asnela desde que nasceu, e ainda se recorda de quando havia crianças a frequentar a escola primária de Vilares, já que na aldeia nunca houve edifício escolar:

“Aqui, não há crianças…os novos foram governar a vida porque aqui não a governavam. É assim, o resto do povo foi ganhá-lo porque aqui é só miséria…só miséria.”

A dona Lucinda diz viver feliz, num lugar que apenas é habitado por mais 3 pessoas, e onde as casas, todas construídas em granito, estão a desmoronar-se. Esta recorda ainda a noite da última consoada, onde juntou em sua casa mais de 20 pessoas, entre filhos emigrados e familiares, e agrande fogueira de Natal que fizeram e que mereceu a visita de dezenas de pessoas das aldeias vizinhas.



A Dona Lucinda cultivam apenas aquilo que necessitam para consumo próprio (FOTO:Ricardo Pinto)


As palavras dos habitantes da Asnela reflectem nostalgia pelo passado e pelos tempos de quando havia mocidade quando os campos à volta da aldeia estavam todos cultivados com centeio e trigo edezenas de rebanhos de gado.


O Sr. Francisco e a sua esposa, habitantes da Asnela ainda se recordam quando a aldeia era muito povoada (FOTOS:Ricardo Pinto)


Na aldeia apenas existem algumas vacas e os poucos habitantes que há cultivam o que necessitam para consumo próprio: batatas, arroz, feijão, cebolas e o castanheiro, que é a árvore que melhor se adapta às regiões frias.
Não existem cafés na aldeia, e as mercearias e o pão são comprados nas carrinhas que se deslocam algumas vezes por semana a Asnela.
A esposa do Sr. Francisco, que também mora na aldeia, recorda os velhos tempos em que havia mais mulheres na Asnela:"Muitas vezes ainda cozo pão no nosso forno, mas dantes éramos dezenas de mulheres a cozer no forno da aldeia", salientou.
A Asnela já foi classificada como um "dos aglomerados mais pequenos do país". Segundo habitantes de aldeias vizinhas, já houve propostas, nomeadamente de uma empresa americana, para reconstruir a aldeia, preservando todas as suas características para a transformar num núcleo de turismo de habitação. Apesar disso, os moradores dizem nunca ter ouvido falar dessas propostas. Por outro lado, o Sr. Francisco diz ter houvido falar em propostas mas não por parte de Americanos mas sim de Inglesese e Portugueses.
Muitos particulares tentaram adquirir uma habitação na Asnela, mas os preços pedidos foram exorbitantes, o que fez com que as pessoas desistissem da ideia. Devido ao abandono dos habitantes que saíram da aldeia, tendo na sua maior parte emigrado para a França, Alemanha e Brasil, muito do património da aldeia foi destruído. As pessoas que permaneceram na aldeia foram as mais idosas, que foram morrendo, e o que impediu o completo abandono da Asnela foi o facto dos quatro últimos moradores nunca terem abandonado a aldeia. Apesar dos poucos habitantes, a Câmara investiu bastante na aldeia para proporcionar boas condições de vida aos seus poucos habitantes pois gastou cerca de 200 mil euros no posto de fornecimento de água e 150 mil euros na beneficiação e manutenção da estrada de acesso à localidade.

Localização geográfica da Asnela e das aldeias vizinhas (FONTE: www.tutiempo.net)

Infelizmente, o velho mundo rural Português está a morrer e não há forças que o salvem, apenas o património deixado o poderão imortalizar.
A população do interior de Portugal está em notório decréscimo, deixando assim aldeias como a Asnela numa “morte lenta e penosa” onde apenas o património cultural se irá imortalizar. É devido ao êxodo rural e ao fenómeno da emigração que o interior português se ressente deixando assim as aldeias do interior com uma população extremamente baixa e envelhecida. O governo não toma as medidas necessárias para o combate à desertificação e despovoamento do interior, deixando assim com que cada vez mais aldeias do interior desapareçam.
Para a Asnela e outras aldeias na mesma situação não “morrerem” será necessário explorar todas as potencialidades e criar meios para atrair visitantes que mais tarde poderão vir a morar destes locais. Será necessário valorizar o que há de mais característico na aldeia, que é a paisagem, o tipo de construção e os produtos agrícolas que ainda se produzem.

Carva

1.3897 km

Cortinhas

2.3162 km

Moreira

2.3162 km

Vilares

2.3162 km

Fonte Fria

2.7794 km

Fiolhoso

3.3409 km

Reboredo

3.7063 km

Parafita

3.9584 km

Carvas

4.562 km

Vrea de Jales

4.562 km

Alfarela de Jales

4.6323 km

Barrela

5.5589 km

Cidadelha de Jales

6.2151 km

Pópulo

6.216 km

Cerdeira de Jales

6.68 km

Campo de Jales

6.9481 km

Quintã

7.1906 km

Murça

7.1923 km

Covas

7.4126 km

Granja

7.5416 km

Tresminas

7.5416 km

Fundões

7.8634 km

Pinhão Cel

7.8768 km

Pontos a visitar num raio de 10Km da Asnela (FONTE: www.tutiempo.net)



4 comentários:

matarbustos disse...

Pois, o problema é idêntico em todo o país. Quem está disposto a recuperar e habitar de facto as casas das aldeias abandonadas, não tem dinheiro para as comprar. Quem tem dinheiro para as adquirir, geralmente prefere viver nas cidades, e quase sempre quando investe na recuperação das casas para férias, fá-lo desastradamente, destruindo a traça que caracteriza o enquadramento rural. Haverá solução enquanto o estado não responsabilizar os proprietários pelo abandono?

Sílvia disse...

Olá boa tarde,

Com muito espanto e alegria que vi que alguém se interessa pela aldeia dos meus avós. No entanto, gostaria de fazer algumas pequenas "correcções". A minha avó, a Srª Lucinda tem 75 anos e não 80...e o meu tio não se chama Francisco mas sim Belmiro...pequenos lapsos quase sem importância. Teria o maior gosto em comentar o responsável pelo blog. Assim sendo, aguardo um contacto, será um prazer trocar ideias e conhecimentos a cerca de uma pequena aldeia mas com um grande valor!
Obrigada.

Cunha disse...

Conheci esta pequena aldeia ao acaso. Sempre adorei o interior, acima de tudo pelo valor cultural e social. Vejo nestas aldeias o verdadeiro berço da minha, e das gerações futuras. Quando vejo o abandono desta e outras aldeias similares, o meu consciente obriga-me a pensar no rumo da sociedade e civilização. Adorei a aldeia, com a qual curiosamente me identifico. Tenho 27 anos e comprei já uma dessas ruinas, que irei restaurar de acordo com a raiz da aldeia, e acima de tudo com respeito por quem construiu noutros tempos algo que ainda hoje é uma obra fantástica e bela.

Viktor disse...

Bem!! e com muito orgulho que vejo este blog a minha aldeia esta no bom caminho.
Fica uma correção: o nome Francisco que se encontra a legendar as fotos, não corresponde, mas sim o meu pai chama-se VALDEMIRO.
Obrigado